isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.

(via acidicmoons)

textoscrueisdemais:

quis te contar que você era muito bonito, mas resisti porque fiquei com vergonha de estar dando um passo a mais. “caramba, nos conhecemos há poucas horas e eu já tenho vontade de passar dias com ele numa casa de veraneio”, sentia vontade de dizer. claro que eu não podia ser tão passional, tão adolescente-apaixonado, tão interessado assim. não é o que se tem pregado por aí? desapego desapego. então eu me encolhi todo, entrei debaixo do travesseiro e esperei que você fosse embora, afinal fora só uma conversa prolongada, porém despretensiosa, sobre o que éramos e o que queríamos ser. nada a qual eu pudesse me agarrar, pedir arrego, suplicar carinho, estabelecer votos sinceros do quão bom tinha sido nosso papo, você falando que eu era uma pessoa interessante, eu sorrateiramente apaixonado pelo formato do seu rosto, você dizendo que sentia tesão, e eu desconversando e introduzido literatura no assunto.

eu acho engraçada a forma como as relações de hoje em dia se dão. as pessoas se saturam muito facilmente com aquilo que não conseguem lidar por muito tempo: um diálogo, uma discussão sobre política, uma vontade de amar. e seguimos, tolos, nos podando porque não pode-se demonstrar muito interesse; porque se eu chamá-lo para sair vai parecer que sou atirado; porque se eu começar a falar demais vai parecer que estou na sua; e assim por diante. a gente vai se diminuindo em razão de conceitos impregnados na sua pele porque não sabemos como ser mais leves e sem melindres. ainda não entendemos as relações humanas como conexões emocionais que independem de tolices como" quem fala primeiro", “quem diz o quê”, “quem consegue ser mais racional”, “eu não vou pedir desculpas, eu não errei”. propor uma conexão emocional com alguém é dizer a ela e ao mundo que você sente e que é incrível sentir. que é maravilhoso quebrar a cara por amor e paixonites agudas. que tá tudo bem levar um pé na bunda se o risco foi abraçado e sabido.

eu quis contar que, caramba, você pareceu mais frio depois do papo de ontem. que alguma coisa em você havia mudado de repente e eu já não me sentia confortável o suficiente para tentar mandar um “oi?”. e eu comecei a questionar minha autoestima, minha entrega, a maneira como eu estava tentando (talvez pateticamente) parecer interessante, mas ao mesmo tempo calmo, porque não queria perder esse resquício de um novo-alguém entrando no meu caminho. a única coisa que consegui fazer, no entanto, foi me fechar dentro de mim e começar a me perguntar por qual razão a gente sempre faz isso. por que nós sempre nos inferiorizamos se alguém não parece estar na mesma sintonia e por que a gente não consegue abrir o peito todo e deixar tudo sair.

eu não consegui abrir meu peito depois que você pareceu querer jogar esse joguinho do não-vou-falar porque-parecerei-interessado. eu havia me encolhido tanto na ideia de parecer grande a ponto de você me escolher para uns dias a mais, que no final das contas eu acabei percebendo que a gente merece muito mais do que uma trama psicológica por alguém que às vezes nem é tudo isso mesmo. você foi frio e eu perdi o interesse. acontece.

(via floresinexatas)

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